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CTIN-BauruGuara/CG
Para responder às questões de números 13 a 15, leia os textos
I, II e III.
Texto I
Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no
[morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigues de Freitas e morreu
afogado.
(Manuel Bandeira)
Texto II
Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em
falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima do rosto,
envesgando os olhos, roçando na boca. A pele, empretecida como
uma casca, pregueava nos braços e nos peitos, que o casaco e a
camisa rasgada descobriam.
(...)
No colo da mulher, o Duquinha, também só osso e pele,
levava, com um gemido abafado, a mãozinha imunda, de dedos
ressequidos, aos pobres olhos doentes.
E com a outra tateava o peito da mãe, mas num movimento tão
fraco e tão triste que era mais uma tentativa do que um gesto.
(Rachel de Queiroz, O Quinze)
Texto III
A poesia, ao contrário da filosofia, não é um conhecimento
teórico da natureza humana, mas imita, narrativa ou dramatica-
mente, ações e sentimentos, feitos e virtudes, situações e vícios
dos seres humanos. No entanto, a poesia é diferente da história,
embora esta também seja uma narrativa de feitos humanos e de
situações, das virtudes e dos vícios humanos narrados. A diferença
está no fato de que aquela visa, por meio de uma pessoa ou de um
fato, a falar dos humanos em geral (cada pessoa [...] não é ela em
sua individualidade, mas é ela como exemplo universal, positivo
ou negativo, de um tipo humano) e a falar de situações em geral
(por meio, por exemplo, do relato dramático de uma guerra, fala
sobre a guerra), enquanto esta se refere à individualidade concreta
de cada pessoa e de cada situação.
(Marilena Chauí, Introdução à história da filosofia)
13. Considerando as estruturas lingüísticas e textuais predomi-
nantes, pode-se afirmar que I, II e III correspondem, respecti-
vamente, aos seguintes tipos de textos:
(A) narração, descrição, carta.
(B) descrição, descrição, dissertação.
(C) narração, descrição, dissertação.
(D) dissertação, narração, descrição.
(E) narração, dissertação, descrição.
14. Em relação ao texto II, o ponto de vista que perpassa o texto
é de
(A) otimismo.
(B) desolação.
(C) expectativa.
(D) saudade.
(E) raiva.
15. De acordo com o texto III, o exemplo universal, positivo ou
negativo, está relacionado à
(A) filosofia.
(B) história.
(C) poesia.
(D) natureza humana.
(E) narrativa.
Para responder às questões de números 16 a 22, leia o texto.
Maneira de amar
O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram
ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou
escutando o que lhe confiara um gerânio. O girassol não ia muito
com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os
girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o giras-
sol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe
sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores
não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar
o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito
tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo
coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira
de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censura-
vam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude.
A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a
ausência do homem. “Você o tratava mal, agora está arrependido?”
“Não, respondeu, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal.
É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava.”
(Carlos Drummond de Andrade, O sorvete e outras histórias)
16. De acordo com o texto, o jardineiro
(A) tratava bem a todas as plantas, mas procurava conquistar a
atenção do girassol que, sem motivo evidente, ignorava-o.
(B) havia deixado de dar atenção ao girassol, pois, por mais
que tentasse, ele não lhe dava provas de amizade.
(C) não se interessava pelo girassol, que não lhe dava atenção,
o que o fez deixar de regá-lo e renovar-lhe a terra.
(D) vivia numa situação bastante embaraçosa, pois, apesar
de bonito e bastante orgulhoso, não ganhara a atenção
do girassol.
(E) conseguiu obter as graças do girassol depois que as de-
mais plantas do jardim o induziram a mudar de idéia.